AGENDAR AULA EXPERIMENTAL: 212 070 973 OU 932 337 557.

28 de outubro de 2009

Passeio pelo Tejo

Fecha os olhos e visualiza-te num barco... os motores estão desligados, velas em baixo e, embora vejas terra, estás no centro do rio ao sabor da maré... sabe bem, não sabe? :-)


Quero convidar-te para um passeio:


A bordo do "AlcaTejo"


31.OUT.09 (sábado) às 14h00.


Informações detalhadas na secretaria do teu Espaço.


 
Será uma óptima oportunidade para convivermos além da sala de prática, valorizando ainda mais a 5ª característica do nosso Método!


"O maior de todos os sádhanas é a convivência gregária" 
Prof. Jóris Marengo



Confirma a tua presença até ao final do dia 29.Out.09.


Um mahá abraço!

27 de outubro de 2009

Código de Ética do Yôgin

Continuando a aprofundar o nosso conhecimento nesta filosofia milenar, deixo agora a terceira norma.

III. ASTÊYA

- A terceira norma ética do Yôga é astêya, não roubar.

- O yôgin não deve se apropriar de objectos, ideias, créditos ou méritos que sejam devidos a outrém.

- É patente que, ao fazer uso em aulas, em entrevistas a orgãos de comunicação e em textos escritos ou gravados de frases, definições, conceitos, métodos ou simbolos de outro professor, seu autor seja sempre honrado através de citação e /ou direito autoral, conforme o caso.

- Desonesto é prometer efeitos que o Yôga não pode proporcionar, bem como acenar com beneficios exagerados, irreais ou mirabolantes e, mormente, curas de qualquer natureza: fisica, psíquica ou espiritual.

- Um professor de Yôga não deve roubar alunos de outro professor.

- Em decorrência disso, será anti-ético um professor instalar-se para dar aulas nas proximidades de outro profissional da mesma linha de trabalho, sem consultá-lo préviamente.

- Considera-se desonesto o professor cobrar preços vís, pois, além de desvalorizar a profissão, estará roubando o sustento aos demais professores que dedicam-se exclusivamente ao Yôga e precisam viver com dignidade e sustentar suas familias como qualquer outro ser humano.

- Tal procedimento estaria, ademais, roubando da Humanidade o patrimônio cultural do Yôga, já que só poderia ministrá-lo a preços ignóbeis quem tivesse uma outra forma de sustento e, portanto, não se dedicasse a tempo integral ao estudo e auto-aprimoramento nessa filosofia de vida, o que culminaria numa gradual perda de qualidade até sua extinção total.


PRECEITO MODERADOR

- A observância de astêya não deve induzir à recusa de properidade wuando ela representar melhor qualidade de vida, saúde, e cultura para o individuo e sua familia. Contudo, a opulência é um roubo tácito.

26 de outubro de 2009

23 de outubro de 2009




When I was young
(...) My heart was open
but now
(...)
I know better

Um conto das escrituras sobre Shiva


Ao lêr este post do Mestre DeRose no seu blog www.uni-yoga.org/blogdoderose, senti que tinha que partilhá-lo. Deste conto mitológico, podemos tirar muitos ensinamentos...

Sem mais demoras, aqui vai:


"Certa vez, os saddhus (os yôgis que vivem isolados, solipsistas) sentiram muita raiva de Shiva e conspiraram para assassiná-lo. Acenderam uma fogueira sacrificial de magia. De dentro do fogo mágico surgiu um tigre furioso ao qual ordenaram que fosse matar o Mestre Shiva. Mas Shiva matou a besta, arrancando sua pele e vestindo-se com ela.


Do fogo saiu, em seguida, um trishúla (lança de guerra em forma de tridente) para matá-lo, porém Shiva se apoderou dele e passou a usar como arma para sua defesa. Depois, serpentes peçonhentas para picá-lo, entretanto o Mestre as usou como braceletes e colares com os quais se enfeitou.

Uma horda de demônios surgiu logo depois. Shiva com um mudrá aplacou sua fúria. Ele ordenou que formassem um exército para servi-lo, e eles obedeceram docilmente.

Em seguida, os saddhus atiraram uma caveira contra o Senhor Shiva. Ele a agarrou no ar e colocou-a para enfeitar os cabelos.

Os saddhus, indignados com seus fracassos, tentaram usar seus mantras maléficos para destruí-lo. No entanto, eles se agruparam e tomaram a forma de um som terrificante que saía de uma concha (shank). O Mestre apoderou-se da concha e a conservou em sua mão, pelo que passou a ser chamado de Shankar.

Os saddhus, que pareciam nunca desistir de destruir o grande Mestre Shiva, fizeram um novo trabalho de magia negra, acendendo outro grande fogo do qual saiu um poderoso gênio denominado Avidyá ou Muyalakan. Ordenaram-lhe que usasse o fogo e matasse o Mestre. No entanto, Shiva apanhou o fogo com a mão, derrubou o gênio e pisoteou-o.

Os saddhus lançaram maldições e injúrias contra o Mestre. Nenhuma foi eficaz. Muyalakan, esmagado pelos pés de Shiva, debatia-se mas não conseguia pôr-se de pé. Shiva começou a dançar sobre ele e o Universo tremeu.

Quando a dança parou, os saddhus prostraram-se aos pés do Mestre e cantaram-lhe louvores. Shiva ordenou-lhes que, daquele momento em diante observassem os sádhanas e passassem a seguir uma vida piedosa. Depois disso, voltou para a sua morada no Monte Kailash, casou-se com sua Shaktí e viveu feliz por toda a eternidade. Até hoje, em todo o mundo, pratica-se a arte de força, poder e energia criada por Shiva e com a qual ele venceu todos os obstáculos."


Descrito ao pormenor... delicioso

«Quando o senhor, também conhecido como deus, se apercebeu de que a adão e eva, perfeitos em tudo o que apresentavam à vista, não lhes saía uma palavra da boca nem emitiam ao menos um simples som primário que fosse, teve de ficar irritado consigo mesmo, uma vez que não havia mais ninguém no jardim do éden a quem pudesse responsabilizar pela gravíssima falta, quando os outros animais, produtos, todos eles, tal como os dois humanos, do faça-se divino, uns por meio de rugidos e mugidos, outros por roncos, chilreios, assobios e cacarejos, desfrutavam já de voz própria. Num acesso de ira, surpreendente em quem tudo poderia ter solucionado com outro rápido fiat, correu para o casal e, um após outro, sem contemplações, sem meias-medidas, enfiou-lhes a língua pela garganta abaixo. Dos escritos em que, ao longo dos tempos, vieram sendo consignados um pouco ao acaso os acontecimentos destas remotas épocas, quer de possível certificação canónica futura ou fruto de imaginações apócrifas e irremediavelmente heréticas, não se aclara a dúvida sobre que língua terá sido aquela, se o músculo flexível e húmido que se mexe e remexe na cavidade bucal e às vezes fora dela, ou a fala, também chamada idioma, de que o senhor lamentavelmente se havia esquecido e que ignoramos qual fosse, uma vez que dela não ficou o menor vestígio, nem ao menos um coração gravado na casca de uma árvore com uma legenda sentimental, qualquer coisa no género amo-te, eva. Como uma coisa, em princípio, não deveria ir sem a outra, é provável que um outro objectivo do violento empurrão dado pelo senhor às mudas línguas dos seus rebentos fosse pô-las em contacto com os mais profundos interiores do ser corporal, as chamadas incomodidades do ser, para que, no porvir, já com algum conhecimento de causa, pudessem falar da sua escura e labiríntica confusão a cuja janela, a boca, já começavam elas a assomar. Tudo pode ser. Evidentemente, por um escrúpulo de bom artífice que só lhe ficava bem, além de compensar com a devida humildade a anterior negligência, o senhor quis comprovar que o seu erro havia sido corrigido, e assim perguntou a adão, Tu, como te chamas, e o homem respondeu, Sou adão, teu primogénito, senhor. Depois, o criador virou-se para a mulher, E tu, como te chamas tu, Sou eva, senhor, a primeira dama, respondeu ela desnecessariamente, uma vez que não havia outra. Deu-se o senhor por satisfeito, despediu-se com um paternal Até logo, e foi à sua vida. Então, pela primeira vez, adão disse para eva, Vamos para a cama.»


[José Saramago in Caim, Caminho, 2009]


Retirado daqui http://bibliotecariodebabel.com/geral/primeiro-paragrafo-do-novo-romance-de-jose-saramago/#comments

22 de outubro de 2009

Atitude e esclarecimento


O que é isto de ser Yôgin(í)? O que são na realidade as técnicas que aprendo dentro da sala de prática?

"Yôga é qualquer metodologia estritamente prática que conduza ao samádhi".* Esta é a sua definição.

Então, fará sentido não aplicar as técnicas que se aprendem na sala de prática no nosso dia-a-dia? Não creio...

Existem um factor que todo o praticante, independentemente do grau em que se encontra, deve lembra-se: a sua missão. Missão enquanto Ser mais consciente... missão enquanto SwáSthya Yôgin(í)!

Deixo-te aqui uma "pérola" da autoria deste grande educador a quem tenho o privilégio de chamar Mestre - DeRose, para juntares às tantas outras que vou deixando cair pelo caminho.
"Há missões diferenciadas para o aluno e para o instrutor. No entanto, existe uma que é comum aos dois. Seja praticante, seja professor, todos são yôgins - adeptos do Yôga.

A mais importante e nobre missão do(a) yôgin/yôginí é zelar ativamente pelo bom nome, pela boa imagem da sua modalidade de Yôga, bem como do seu instrutor e da sua escola... através de ações efetivas.

Certa vez, um aluno declarou que queria muito cumprir a missão do yôgin, mas não sabia como. Perguntou como poderia realizar essas ações efetivas. As explicações que dei a ele servem para todos, praticantes, estudiosos, leitores, simpatizantes, alunos e instrutores.

Você que está lendo agora estas palavras pode se tornar um paladino, através de duas ferramentas importantes:

A primeira é a sua atitude. O seu comportamento diz muito a respeito do seu instrutor, da sua escola e do seu tipo de Yôga. Por isso é fundamental que você demonstre na vida uma atitude elegante, cordial, simpática, educada e, acima de tudo, honesta nos relacionamentos com os familiares, com os amigos, com os clientes, com os subordinados, com os desconhecidos, até mesmo com os inimigos. Você é o nosso cartão de visitas. É observando a sua atitude que as pessoas vão nos julgar bem ou mal.

A segunda é o esclarecimento. Todo o mundo gosta de esclarecimento. Doutrinação jamais. Contudo, não perca a oportunidade de elucidar quando alguém lhe pedir uma informação ou quando afirmarem algum disparate. Leve em consideração que algumas pessoas quando desejam uma explicação parecem estar agredindo ou puxando discussão. Procure compreender o que há por trás dessa atitude um tanto tosca. Nem todos são tão educados quanto você. Se conseguir manter a civilidade e a simpatia enquanto esclarece alguma imagem eventualmente distorcida, você estará prestando um serviço não apenas ao Yôga, ao seu Mestre ou à sua escola. Estará prestando um serviço a todos, já que o Yôga é um patrimônio cultural da Humanidade.

Para poder defender, explicar, documentar o que estiver afirmando é preciso que você conheça o suficiente a fim de não dar informações errôneas, nem reticentes, nem hesitantes. Peço-lhe, portanto, que leia, releia e pesquise os livros recomendados.»


Agora volta a lêr a definição de Yôga... Não faz mais sentido?

 
* Mestre DeRose in "Quando é Preciso Ser Forte"